História

Alcobaça

Cidade rodeada de montes verdejantes ainda pouco delapidados pelo crescimento urbano, o clima é do tipo Mediterrânico, mas fortemente influenciado pelos ventos que sopram do Atlântico. No Inverno as noites são muito frias e os dias amenos. No Verão, as temperaturas são também muito amenas, sendo as noites um pouco frescas devido às neblinas que afetam esta região. As chuvas são mais abundantes no Outono e Inverno.

Recebeu a carta foral de D. Manuel I em 1514 e a 30 de Agosto de 1995 foi elevada a cidade. Tem como orago o Santíssimo Sacramento.

Foi erigida na confluência dos rios Alcoa e Baça, sendo a junção destes dois nomes uma das justificações para a origem do nome da cidade. Mas são muitos os que defendem que a sua designação remonta à ocupação árabe e deriva de “Al Cobaxa”. Contudo, é apontada como sendo mais plausível que Alcobaça derive da antiga povoação romana chamada “Helcobatiae”, mas nenhuma destas versões é consensual.

A presença humana na região e os vestígios existentes transportam-nos até tempos pré-históricos, seguindo-se outros povos que poucas referências nos deixaram. Posteriormente, a zona sofreu a ocupação romana, que deixou vários vestígios na região de Alcobaça, remontando provavelmente a esta era o nascimento da vila de Alcobaça.

Com o fim da ocupação Romana no séc. V, a região foi invadida por vários povos procedentes do Norte, mas apenas dos Visigodos existem indícios. Datará provavelmente desta época a construção do Castelo de Alcobaça. No séc. IX deu-se a ocupação árabe, que durou até ao séc. XII, quando D. Afonso Henriques reconquistou o Reino de Portugal aos mouros.

Em 1153, D. Afonso Henriques concedeu a S. Bernardo, abade do Mosteiro de Claraval (França), um território de 440 km2 (Coutos de Alcobaça),por carta de doação e couto, a qual estabelecia que no território coutado fosse fundado um mosteiro cisterciense (Mosteiro de Alcobaça) no lugar de Alcobaça, que promovesse o povoamento e o desbravamento das terras conquistadas aos mouros.

Segundo a lenda, D. Afonso Henriques prometeu a Santa Maria erguer um mosteiro em sua homenagem, caso ele conseguisse conquistar aos mouros o importante Castelo de Santarém. Com a conquista do mesmo, o rei cumpriu o prometido. Esta narrativa encontra-se documentada nos painéis de azulejos nas paredes da Sala dos Reis do Mosteiro.

Em 1178, os monges iniciaram a construção da Abadia de Santa Maria de Alcobaça, vindo esta a tornar-se uma das mais ricas e poderosas da Ordem de Cister.

A história e o desenvolvimento cultural, social e económico de Alcobaça encontra-se intimamente ligado à presença da Ordem de Cister em Portugal, refletida no desenvolvimento agrícola, através da criação de explorações agrárias, utilização de técnicas agrícolas inovadoras, que contribuíram para o crescimento económico da região. No aspeto educativo, deve realçar-se que foi aqui que se realizaram as primeiras aulas públicas em Portugal, no ano de 1269.

Da história de Alcobaça fazem igualmente parte personalidades, que pelo seu empreendedorismo, contribuíram para o desenvolvimento socioeconómico da região e projetaram Alcobaça além fronteiras:

  • Joaquim Vieira Natividade – Silvicultor de renome europeu e diretor da Estação Experimental do Sobreiro em Alcobaça.
  • João d’Oliva Monteiro – Vitivinicultor, fundador do Cine Teatro de Alcobaça e da fábrica de vidros Crisal.
  • Manuel Vieira Natividade – Arqueólogo e escritor, de quem se destacam as obras sobre a história de Alcobaça e fundador da primeira fábrica de conservas de frutas e compotas de Alcobaça.
  • José Eduardo Raposo de Magalhães – Engenheiro, primeiro Governador Civil de Leiria da República, industrial, responsável pela reputação e desenvolvimento da vitivinicultura em Alcobaça e um dos pioneiros da técnica da pasteurização em Portugal.
  • Joaquim Ferreira de Araújo de Guimarães – Vitivinicultor e Industrial, destacou-se por ser o fundador e diretor da Companhia de Fiação e Tecidos de Alcobaça.
  • Bernardino Lopes de Oliveira – Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alcobaça e grande impulsionador da construção do hospital de Alcobaça.

 


 

Vestiaria

A Vestiaria está localizada a cerca de 2 Km da cidade de Alcobaça e foi fundada por D. Manuel cerca de 1506 a pedido do Abade de Alcobaça, D. Jorge de Melo, tem como orago Nossa senhora D`Ajuda.

Crê-se que o povoamento da região date da era Romana e que apesar de posteriormente ter sido ocupada por outros povos, a região esteve praticamente desabitada até à doação e atribuição da Carta de Couto por parte de D. Afonso Henriques a D. Bernardo, Abade de Claraval e aos seus sucessores, de uma vasta área de terreno para a construção do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Devido à proximidade desta vila com o Mosteiro de Alcobaça, acabou por beneficiar do desenvolvimento e fixação de colonos promovidos pelos monges Cistercienses nos seus domínios.

Consta que o abade D. Jorge de Mello, ao ver que o Mosteiro de Alcobaça se tornava um refúgio de criminosos e vagabundos, escreveu ao rei (D. Manuel) pedindo que fosse criado, longe do mosteiro, um local para onde fossem transferidos esses indivíduos. O local escolhido foi o cume do monte em frente ao Mosteiro, que recebeu o nome de Vila de S. Bernardo, mais tarde designado Vestiaria. Esta ideia nunca seria concretizada, mas o núcleo habitacional manteve-se, tendo sido edificada uma igreja paroquial dedicada a Nossa Senhora da Ajuda (Igreja Matriz), que ostenta o mais belo portal manuelino da regiãoe em torno da qual se desenvolveu o povoado.

De acordo com algumas referências, a etimologia do nome Vestiaria deriva do facto de os monges Cistercienses usarem os rendimentos gerados na zona para a confeção de vestuário destinado aos frades da abadia de Alcobaça. Hoje em dia crê-se que o nome Vestiaria remonte à época fenícia, porque terá existido no local um ou vários fachos (focos de luz ‘Vestea’ em fenício) que se pensa terem servido para sinalizar embarcações que entravam na caldeira do mar onde hoje se situam os campos do Valado e da Cela.

Ligado à história da vila da Vestiaria encontra-se a figura de Monsenhor José Cancella, pároco da freguesia, diretor e grande impulsionador da Banda da Vestiaria que sobre a sua regência foi uma das primeiras a tocar o Hino Republicano, mais tarde Hino Nacional foi além disso o patrocinador da construção do Centro Paroquial de nossa Senhora D’Ajuda.

Como reconhecimento da sua obra, foi agraciado em 20 de Janeiro de 1966 com a Ordem do Infante D. Henrique.